domingo, 15 de março de 2009

Davi e Golias

Você corinthiano, flamenguista, são-paulino, palmeirense, vascaíno, colorado, gremista, botafoguense, tricolores cariocas e baianos, santista. Você, que vê seu time entre as 20 maiores torcidas do Brasil, faça um exercício de abstração.

Pense que você não torce junto com mais 3 milhões de pessoas pelas mesmas cores, pelo mesmo amor. Esqueça os títulos fartos, as vitórias inesquecíveis e os craques indiscutíveis que passaram pelo seu time.

Vá até seu estádio preferido num dia sem jogo e sente-se nas arquibancadas. Feche os olhos. Tenha consigo a companhia das pombas, dos faxineiros da geral e da sua paixão pelo futebol. Imagine que junto de você, existem outras 500 pessoas no Brasil inteiro. No mundo inteiro.

Pense que você torce para um time cuja torcida tem esse tamanho. Um time que tem títulos esparsos e glórias advindas de vitórias sobre gigantes, um solitário gol de bicicleta. Um clube quase de bairro, que todos dizem amar, mas que poucos realmente sabem onde é o estádio.

Abstraia.

Conseguiu? O que você sentiu?

Pena? Compaixão? Achou graça? Se sentiu ridículo? Então volte para o seu gigante. Ele estará lá, de braços abertos a lhe esperar.

Sentiu prazer? Achou uma sensação esquisitamente agradável? Sentiu-se único, diferente? Pronto. Você descobriu o que é torcer para um time pequeno. Agora, você de fato sabe o que é amar o futebol. Amor que é amor sobrevive a tristezas, a vitórias tão raras quanto intensas, a lágrimas carregadas de afeto.

Um comentário:

Lavinas disse...

Um amante à moda antiga!

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O publicitário, roqueiro e torcedor do Santo André, Guilherme Pibe, traz a visão "underground" de toda cena do futebol e do rock´n roll juntos em um só blog.



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